terça-feira, 17 de março de 2009

Roberto Shinyashiki uma vez escreveu:

Eu me sentiria feliz se,
pelo menos uma vez,
eu estivesse quieto no meu canto, parado,
e você me procurasse,
sem que eu tivesse que mover um dedo,
nem sequer esboçar um sorriso.
Eu me sentiria muito feliz se,
ao cair da tarde, encontrasse seu coração
entrando em meu silêncio,
devassando minha solidão,
desprezando minha timidez,
sem sequer mudar nada em mim.

Eu me sentiria irremediavelmente feliz,
se eu tivesse me dado conta
de pelo menos uma,
das tantas vezes em que isso aconteceu,
não só com você,
mas com tanta gente que eu quis.


E eu acho que poucos textos (poemas?) me tocam e me traduzem tanto quanto esse.

segunda-feira, 9 de março de 2009




Duvido que algo ou alguém me faça tão feliz quanto ela. Fui sempre sozinha. Sempre. Só fui arranjar amigos em Fortaleza. Com meus grandes 12 anos pesando muito. Quando me mudei, minha mãe perguntou se eu queria voltar para o Christus, o colégio onde estudei quando tinha 7 anos. Eu recusei. Não queria voltar lá, porque lá, choque, eu não tinha amigos. Fui então para o Colégio Batista, relativamente perto do apartamento novo e conhecido por uma abordagem diferente e menos sufocante nas crianças. Mamãe estava radiante por morar na capital novamente, mas eu só sofria e sentia saudades da calmaria do interior. Primeiro dia de aula é uma tortura a qual fui submetida cerca de 6 vezes durante o tempo de colégio(s). Mas lá, naquele belo dia de 2001, algo aconteceu. Umas 10 pessoas vieram falar comigo DO NADA, se apresentaram, perguntaram de onde eu vinha e tudo mais. Simpáticas e prestativas ao extremo, me fazendo pensar que talvez as crianças daqui fossem meio retardadas. Teve uma menina que não veio se apresentar, ela estava ocupada fazendo seu show e amigos, porque, veja bem, ela também era novata. Os meses se passaram e ela tinha os amigos dela, do lado oeste da sala, e eu tinha os meus, no extremo leste. O pouco que falava com ela... Falar não descreve muito bem, porque eu só escutava as besteiras que ela dizia e lamentava mentalmente. Mas o pouco que ela dizia e eu escutava, me dava a impressão que ela era horrível, superficial e tentava muito se enquandrar. A odiei de cara. Paulista estúpida. Mas, claro, algo aconteceu novamente, não me lembro bem porque minha memória nunca fui o meu forte, mas de algum modo nós acabamos juntas. Começou quando eu dei aulas particulares pra ela de TODAS AS MATÉRIAS POSSÍVEIS. Nas longas tardes "estudando" na casa dela ou na minha, nos tornamos amigas. Porque ela era extremamente engraçada e débil, me fazendo rir mais do que eu riria com outra pessoa em toda minha vida. Minhas outras amigas ainda a odiavam, mas eu já estava dependente dos risos então empurrei a paulista no grupinho. Com um pouco de tempo e esforço, todos a amavam, como eu. E nos tornamos inseparáveis no decorrer dos anos. Sexta série, sétima, oitava, primeiro ano, segundo ano, pré-vestibular. Eu nunca tive uma amiga por tanto tempo, nunca aguentava ninguem e ninguem me aguentava. Também nunca fiquei muito tempo em um lugar só para fazer amigos. Mas ela, que eu tanto odiava, conheceu minha família, e não só o quarteto fantástico de pai-mãe-casal-de-filhos. Ela conheceu meus avós, de ambos os lados. Meus tios, primos. Foi à festas de aniversário comigo, à festinhas de ABC, ceias de natal, festas de ano novo. Viajou comigo para a praia, para a serra, para o futuro onde moraríamos juntas e seria festa todo dia. Todo mundo que era importante para mim agora a conhecia. Começou essa estranha tradição de me ligar todos os dias, várias vezes por dia, mesmo a gente estudando na mesma sala. E eu, que nunca gostei de falar ao telefone, passei horas de vida falando besteira e contando histórias. Ela estava enterrada na minha rede familiar e social, totalmente enraizada na minha vida, como ela permaneceria sem prazo de validade. Costumávamos brigar muito, principalmente por besteiras. Eu sempre fui muito insensível e orgulhosa para me arrepender. Ela sempre vinha me pedir desculpas então e fazer as pazes, mesmo quando ela era inocente. Isso foi uma coisa que ela me ensinou também, além de rir muito de tudo, pedir desculpas, mostrar fraqueza, mostrar humanidade. Com o tempo eu a ensinei muitas coisas e ela me ensinou o dobro. A convivência ficou facinha, facinha. Não brigávamos mais, nos apoiávamos, conversávamos, nos complementávamos. Capricórnio é amolecido por Peixes, Peixes é fortalecido por Capricórnio, entende? Tudo se encaixou. Durante muito tempo o meu maior medo era que a paulista voltasse para casa e me deixasse sozinha, de novo. A possibilidade de mudança era sempre constante devido à instabilidade familiar na casa dela. Ela me ligava de noite bem tarde, chorando porque ia embora, e eu chorava com ela. Porque é certo que as pessoas estão sempre crescendo e se modificando, mas estando próximas, uma vai adequando seu crescimento e a sua modificação ao crescimento e à modificação da outra. Mas estando distantes, uma cresce e se modifica num sentido e outra noutro, completamente diferente, distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra. Uma pessoa quando está longe vive coisas que não te comunica e tu aqui vive coisas que não comunica a ela. Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ela vai te falar por cima de tudo o que ela viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra outra. Eu sabia disso melhor do que ninguem. Então eu chorava. Às poucas vezes que eu chorei, se me lembro bem, foi por ela ou com ela. Estranhamente, ela nunca se foi. A grande despedida nunca aconteceu. Parece que todas as minhas preces mal feitas e atéias foram atendidas. Ela permanecia constante comigo, quando tudo mais mudava. Em meio à corações partidos, risadas, shows de rock, piercings e mudanças de cabelo da parte dela, eu vi uma menina crescer. Eu vi uma família mudar. Eu vi que, não importasse o que, eu sempre a teria. Eu até chamei ela pra morar comigo no meu quarto quando ela foi expulsa de casa. Claro que não durou nem um dia, mas ainda assim a intenção valeu.
Hoje nós somos, supostamente, adultas. Nossos pais gritam, proíbem e não nos entendem. Estamos perdidas. Eu não sei o que fazer da minha vida, ela passou por um milhão e meio de empregos até voltar a estudar. Não temos dinheiro para fazer todas as lindas coisas que gostaríamos. Adiamos novamente a nossa tatuagem de amizade, de irmandade. Mas ela ainda me liga. Não todo dia, porque agora a gente é mais ocupada, ok, ELA é mais ocupada. Eu não faço absolutamente nada. Ela ainda me faz rir. Ela ainda divide o mundo dela comigo. Nós ainda saimos juntas pelo menos uma vez por semana. E ela ainda é parte indispensável, imprescindível, essencial e necessária em mim. Eu nem me lembro mais da vida antes da Aline.

quinta-feira, 5 de março de 2009


Eu sempre quis outra metade. Não que precisasse, não sou desse tipo de pessoa... Só achei que seria bom, sei lá. Então veio você. Ou eu vim pra você, como, tão insistentemente, você gosta de dizer. Que eu te salvei, e te salvo, diariamente. Mas eu não sou tão boa com as palavras como tu. E eu nunca digo que te amo, mesmo quando tu faz questão de lembrar o quanto me ama. Eu sempre acreditei que dá, sim, pra perceber que tua vida está prestes a mudar. Tem sempre um 'momento'. Aquela hora que tu pára e pensa "Isso é o começo de algo muito, muito grande". Tudo bem, coisa de filme, mas acontece. E foi assim, o tempo parou. E quando voltou a andar, tudo estava tão irreversivelmente diferente. O cinema, como parte da nossa vida, entrou em ação e fez cada momento tão único. Triste ou feliz, estava tudo no roteiro e a fotografia era perfeita. Os discursos impactantes, a trilha sonora. Como gêmeas siamêsas, ligadas pela mente, nós seguimos. O que tu sentes, eu entendo. O que eu penso, tu já sabes. No lado negro da força eu te encontrei, e pelos nossos poderes combinados fez-se luz. Mas uma iluminação diferente, não daquelas que se contorce, se enleia, se turva toda e ofusca e apaga e acende feito um fio de contato defeituoso. Isso seria uma constante, e nós sabiamos desde o momento em que o tempo parou.
Porque, minha querida, quando eu vejo você, eu vejo a mim mesma.
Parabéns, querida. Feliz dia teu.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

I kept running and running and running. I raced so fast that what happened made my heart burn. My heart hurt... as if I had just twisted a muscle.

É o último dia do mês e, estranhamente, eu me dei conta disso logo após a meia noite. Não consegui durmir de novo. Como se fosse a big deal. Mas o lance é que é sim. Não sei porque, mas sempre tive a sensação esquisita com relação a fevereiro. É um bom mês, claro, tem as férias, o carnaval e tudo mais. Mas esse final nunca me desceu pela goela. Essa gambiarra que fizeram de juntar as horas que sobram em um dia a mais a cada quatro anos é simplesmente muito estranha. E como fica quem faz aniversário dia 29? Certo, comemora dia 28 ou dia 1° de março, mas admita, a pessoa perde um pouco da identidade pessoal, certo? Eu perderia. Mas o caso é que, acabando em 28 ou 29, fevereiro sempre me trás uma sensação estranha. De começo, de fim, de meio, de tran-si-tó-rio. Alguns anos me bate mais forte até que a virada do ano. Como se o ano começasse mesmo a partir de março. Ai se sêsse. Então eu tenho a mania horrível que já cultivo há alguns anos de vadiar durante os dois primeiros meses do ano. Começando as aulas ou não, com ou sem responsabilidades. A minha mente não funciona, fico fechada para balanço e tudo que acontece nesse meio tempo é meio nebuloso, como se não fosse real. Empurro com a barriga até março, a partir daí eu posso começar a viver. Nesse ano não foi diferente. Eu fiquei entediada, como sempre e não sei pra onde correr agora. Porque voltar ao que eu era e aonde eu estava é inconcebível. Tenho muito em mim que eu quero botar pra fora e botar em prática. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente. O mais importante é me desfazer do que não é importante, não mais. Mas é isso, tudo bem, se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.
Às vezes,quando se é jovem, você acha que nada pode te machucar. É como ser invencível. Sua vida toda está a sua frente e você tem grandes planos. Grandes Planos. Achar seu par perfeito. Aquele que te completa. Mas conforme vai envelhecendo, percebe que nem sempre é tão fácil assim. Só no fim da vida percebe que os planos que fez são só planos. Pois no final, quando olha pra trás ao invés de pra frente... o que você quer é acreditar que fez o máximo com o que a vida te deu. Quer acreditar que está deixando algo de bom pra trás. Você quer que tudo tenha sido importante. Às vezes parece que foi ontem. Formando-se no colégio, dizendo adeus. Aquela sensação que você tem aos 17 ou 18 anos, que ninguém no mundo esteve tão próximo... Amou tão ferozmente... Riu com tanta vontade... Ou importou-se tanto assim. Às vezes parece que foi ontem. E às vezes... parecem as lembranças de outra pessoa. Eu tenho 20 anos agora, sou adulta e de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa das pessoas, dos lugares, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento pelas outras pessoas que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser nova em 2009. Então hoje eu vou sair, vou me arrumar e sair pra dançar. E quando der março eu vou estar afogada em serotonina, hopefully.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

And this is my brain, It's torturous analytical thoughts make me go insane.

Eu me perco nos meus pensamentos, analíticos, repetitivos, nos meus livros, nas histórias, na ficção. Esqueço que as pessoas não lêem mentes e que elas não sabem realmente o que se passa dentro de mim 90% do tempo. Sempre gostei disso, misterioso, eu pensava. Mas não existe nada mais solitário do que ninguém te conhecer for real. Eu tento explicar da melhor maneira possivel tudo que acontece e porquê acontece, mas é difícil... Nunca sai tão bem quanto eu imaginei. Eu parei de sentir há muito tempo agora, eu passei para um estado permanente de entorpecimento. O pior é que eu não sei se consigo recuperar tudo de novo, os sentimentos, eu quero dizer. Hoje eu simplesmente me apego com unhas e dentes à tudo que acontece, tentando sentir algo. Não funciona muito bem, confesso. Mas já é algo. Mesmo se for ruim, mesmo se for desilusão, destruição, eu aceito. É melhor do que me sentir como um fantasma na maior parte do tempo. Ou uma estrangeira, que mora aonde ninguém fala a sua lingua e absolutamente ninguém consegue lhe entender. Às vezes acho que deve ser por isso que sou tão "malvada". Eu não sinto nada, esqueci como é, não lembro também que a maioria das pessoas ainda sente. E eles serão atingidos pelos meus comentários secos, meu olhar desinteressado, meus desaparecimentos constantes. A maior parte do tempo eu queria ser diferente, me enquadrar melhor, ser mais fácil de lidar. Mesmo sabendo que, então, não seria eu. Quando eu era mais nova era mais fácil. Pensar que tudo é efêmero, isso também seria. "Vai passar, é uma fase". Mas o que acontece quando a "fase" se torna constante, a "fase" é sua vida, é tudo que você conhece do mundo?