Eu me perco nos meus pensamentos, analíticos, repetitivos, nos meus livros, nas histórias, na ficção. Esqueço que as pessoas não lêem mentes e que elas não sabem realmente o que se passa dentro de mim 90% do tempo. Sempre gostei disso, misterioso, eu pensava. Mas não existe nada mais solitário do que ninguém te conhecer for real. Eu tento explicar da melhor maneira possivel tudo que acontece e porquê acontece, mas é difícil... Nunca sai tão bem quanto eu imaginei. Eu parei de sentir há muito tempo agora, eu passei para um estado permanente de entorpecimento. O pior é que eu não sei se consigo recuperar tudo de novo, os sentimentos, eu quero dizer. Hoje eu simplesmente me apego com unhas e dentes à tudo que acontece, tentando sentir algo. Não funciona muito bem, confesso. Mas já é algo. Mesmo se for ruim, mesmo se for desilusão, destruição, eu aceito. É melhor do que me sentir como um fantasma na maior parte do tempo. Ou uma estrangeira, que mora aonde ninguém fala a sua lingua e absolutamente ninguém consegue lhe entender. Às vezes acho que deve ser por isso que sou tão "malvada". Eu não sinto nada, esqueci como é, não lembro também que a maioria das pessoas ainda sente. E eles serão atingidos pelos meus comentários secos, meu olhar desinteressado, meus desaparecimentos constantes. A maior parte do tempo eu queria ser diferente, me enquadrar melhor, ser mais fácil de lidar. Mesmo sabendo que, então, não seria eu. Quando eu era mais nova era mais fácil. Pensar que tudo é efêmero, isso também seria. "Vai passar, é uma fase". Mas o que acontece quando a "fase" se torna constante, a "fase" é sua vida, é tudo que você conhece do mundo?
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