sábado, 28 de fevereiro de 2009

I kept running and running and running. I raced so fast that what happened made my heart burn. My heart hurt... as if I had just twisted a muscle.

É o último dia do mês e, estranhamente, eu me dei conta disso logo após a meia noite. Não consegui durmir de novo. Como se fosse a big deal. Mas o lance é que é sim. Não sei porque, mas sempre tive a sensação esquisita com relação a fevereiro. É um bom mês, claro, tem as férias, o carnaval e tudo mais. Mas esse final nunca me desceu pela goela. Essa gambiarra que fizeram de juntar as horas que sobram em um dia a mais a cada quatro anos é simplesmente muito estranha. E como fica quem faz aniversário dia 29? Certo, comemora dia 28 ou dia 1° de março, mas admita, a pessoa perde um pouco da identidade pessoal, certo? Eu perderia. Mas o caso é que, acabando em 28 ou 29, fevereiro sempre me trás uma sensação estranha. De começo, de fim, de meio, de tran-si-tó-rio. Alguns anos me bate mais forte até que a virada do ano. Como se o ano começasse mesmo a partir de março. Ai se sêsse. Então eu tenho a mania horrível que já cultivo há alguns anos de vadiar durante os dois primeiros meses do ano. Começando as aulas ou não, com ou sem responsabilidades. A minha mente não funciona, fico fechada para balanço e tudo que acontece nesse meio tempo é meio nebuloso, como se não fosse real. Empurro com a barriga até março, a partir daí eu posso começar a viver. Nesse ano não foi diferente. Eu fiquei entediada, como sempre e não sei pra onde correr agora. Porque voltar ao que eu era e aonde eu estava é inconcebível. Tenho muito em mim que eu quero botar pra fora e botar em prática. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente. O mais importante é me desfazer do que não é importante, não mais. Mas é isso, tudo bem, se agora isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes.
Às vezes,quando se é jovem, você acha que nada pode te machucar. É como ser invencível. Sua vida toda está a sua frente e você tem grandes planos. Grandes Planos. Achar seu par perfeito. Aquele que te completa. Mas conforme vai envelhecendo, percebe que nem sempre é tão fácil assim. Só no fim da vida percebe que os planos que fez são só planos. Pois no final, quando olha pra trás ao invés de pra frente... o que você quer é acreditar que fez o máximo com o que a vida te deu. Quer acreditar que está deixando algo de bom pra trás. Você quer que tudo tenha sido importante. Às vezes parece que foi ontem. Formando-se no colégio, dizendo adeus. Aquela sensação que você tem aos 17 ou 18 anos, que ninguém no mundo esteve tão próximo... Amou tão ferozmente... Riu com tanta vontade... Ou importou-se tanto assim. Às vezes parece que foi ontem. E às vezes... parecem as lembranças de outra pessoa. Eu tenho 20 anos agora, sou adulta e de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa das pessoas, dos lugares, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento pelas outras pessoas que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser nova em 2009. Então hoje eu vou sair, vou me arrumar e sair pra dançar. E quando der março eu vou estar afogada em serotonina, hopefully.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

And this is my brain, It's torturous analytical thoughts make me go insane.

Eu me perco nos meus pensamentos, analíticos, repetitivos, nos meus livros, nas histórias, na ficção. Esqueço que as pessoas não lêem mentes e que elas não sabem realmente o que se passa dentro de mim 90% do tempo. Sempre gostei disso, misterioso, eu pensava. Mas não existe nada mais solitário do que ninguém te conhecer for real. Eu tento explicar da melhor maneira possivel tudo que acontece e porquê acontece, mas é difícil... Nunca sai tão bem quanto eu imaginei. Eu parei de sentir há muito tempo agora, eu passei para um estado permanente de entorpecimento. O pior é que eu não sei se consigo recuperar tudo de novo, os sentimentos, eu quero dizer. Hoje eu simplesmente me apego com unhas e dentes à tudo que acontece, tentando sentir algo. Não funciona muito bem, confesso. Mas já é algo. Mesmo se for ruim, mesmo se for desilusão, destruição, eu aceito. É melhor do que me sentir como um fantasma na maior parte do tempo. Ou uma estrangeira, que mora aonde ninguém fala a sua lingua e absolutamente ninguém consegue lhe entender. Às vezes acho que deve ser por isso que sou tão "malvada". Eu não sinto nada, esqueci como é, não lembro também que a maioria das pessoas ainda sente. E eles serão atingidos pelos meus comentários secos, meu olhar desinteressado, meus desaparecimentos constantes. A maior parte do tempo eu queria ser diferente, me enquadrar melhor, ser mais fácil de lidar. Mesmo sabendo que, então, não seria eu. Quando eu era mais nova era mais fácil. Pensar que tudo é efêmero, isso também seria. "Vai passar, é uma fase". Mas o que acontece quando a "fase" se torna constante, a "fase" é sua vida, é tudo que você conhece do mundo?